quinta-feira, agosto 04, 2016


Título: Holocausto Brasileiro
Autora: Daniela Arbex
Editora: Geração Editorial
Páginas: 256
Ano: 2013
Gênero: História/Documentário

Sinopse: Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.
Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.
Já no prefácio deu para perceber que essa história é dramática, revoltante e ao mesmo tempo instigante, gosto de documentários sobre assuntos polêmicos e pesados, mas que fazem parte da nossa história.

No primeiro capítulo conhecemos Marlene, ela foi contratada como atendente psiquiátrica, a maneira como ela descreve o que viu assim que entrou no pavilhão onde trabalharia é algo assustador, são vários homens muito magros, nus, atirados no chão em meio a um monte de capim.
Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoolistas, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava, gente que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas, violentadas por seus patrões, eram esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, eram filhas de fazendeiros as quais perderam a virgindade antes do casamento. Eram homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos trinta e três eram crianças.
O Colônia começou a receber cada vez mais gente e para se ter espaço foram colocados capim nas alas para os internados ali dormirem em cima, sem camas, mais espaço, mais gente vinha para o Colônia. Gente é estarrecedor saber de algo assim, eu me sinto culpada por não ter tido contato com essa história antes. 

Muitas pessoas chegaram até o Colônia de trem, chamado de ‘Trem de Doido’. Quando embarcavam, muitos não sabiam para onde iriam, mal sabiam que estavam sendo levados para um verdadeiro campo de concentração.

Conforme a leitura vai evoluindo vamos conhecendo várias pessoas que passaram pelo Colônia e cada vez mais essa história me deixava triste, teve um momento que me bateu um desespero e comecei a chorar sem parar.

Antônio viveu no Colônia por 34 anos e quando saiu foi difícil se reintegrar à sociedade, estava desacostumado a ser livre e quase sempre sonhava com as sessões de eletrochoque.

Um dos funcionários conta que a medicação e o eletrochoque eram usados muitas vezes não como tratamento e sim como punição, como intimidação.

As pessoas participavam das sessões de eletrochoque aleatoriamente, funcionárias da cozinha foram sorteadas para presidir uma sessão, isso é um absurdo, um descaso com a vida humana, muitos não sobreviviam a carga alta.

Chiquinha trabalhou no refeitório do Colônia, mas conviveu desde os 10 anos com o local, sua mãe trabalhava lá e ela ia levar marmita e ajudava, só não entendia porque aquelas pessoas eram privadas de liberdade.

Mesmo que aquele lugar tirasse a dignidade, a liberdade de todos eles o mais incrível é ver que muitos se ajudavam, muitos tiravam a roupa para fazer uma fogueira, pois eram deixados à noite do lado de fora, ajudavam quando alguém estava doente, isso mostra que nem todos os sentimentos eram tirados daqueles que sofriam ali dentro.

Uma mulher grávida em busca de proteger o seu filho, passava as próprias fezes na barriga, assim os funcionários não se atreviam a chegar perto.

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